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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Trinta e dois




Uma constelação diferente no céu
Dessas que anunciam Rainhas, Deusas
Uma canção em um violão, uma voz ao Léu
As vezes um choro, não tardio, um sumiço

Andar por aí faz bem, um vinho maduro
Um ano a mais de delícia sobre um signo dividido
Apenas pelo dia e noite, mas o Sagitário definitivo
um ponto equidistante entre minha realidade e sonho

Os pés descalços e as flores nos cabelos, celebração
As meninas a beber, e os meninos meros súditos
E eu achando que posso dizer, insultar, pregar a perdição
E por fim me colocar entre melodias e poemas Lúdicos

Trinta e duas estações como versos
Paixões, amores e desafetos
Assim é a vida, em cores e as vezes preto e branco
Para você sempre mais que um brinde , sempre mais que um canto

Marcelo Moro

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Solidão Povoada




É dessas coisas sutis do amor, essa miragem
Imagem sobre a areia do deserto, feita de cor e calor
Dois braços ao vento, que o tempo fez Oásis
Duas vidas feitas uma por um verso que se faz

Tantas palavras que não se ouvem, que tudo dizem
Basta que se leia com a alma e à ferro e fogo
Basta que o vento encha as velas, embarace os cabelos
Basta  que eu descubra a cor perfeita do seu olho

Nem que a tempestade que se forma divida os sonhos
Seria capaz de cega-los, apaga-los do tempo
Nem que a distância nos puna, insônia doida e serena
Seria capaz de tragar o amor em sua essência

Marcelo Moro

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Reticencias



Contemplar o teu andar é saber da leveza
É perceber a gentileza que existe nos passos
É ganhar o dia, mesmo que chova o dia todo
É sentir o balanço dos cabelos, olhando a elegância dos sapatos

Imagino espelhos e gestos, luzes
Cruzes sendo escaladas por pernas fortes
Garoa fina prata escaldando a noite
Pensamento navegando, bussola sem Norte

Feliz quem te toca, quem arrepia sua morenice
Que vê tua meiguice virar os olhos num suspiro
Sorte tem quem descobre o véu da sua inocência
Azar de quem apenas tem a boca aguada e as reticencias

Marcelo Moro 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Teatro de Ousadias - Sétimo Ato - Ato Final






é como o mar que avança pra retroceder
engole cidades, prédios, catedrais
onde antes havia praia deixa um cais
porto repleto de caos

é como o mar, doce cantiga de ninar
numa noite tranquila, prata reflexo da lua
vento que sopra manso, navega nua
doce encanto de sal e de luz

é como o mar, há um triz de transbordar
de espatifar nas pedras a luxuria
a lançar pau e pedra de volta, injuria
a indignar o sono tranqüilo dos navegantes

é como o mar, milagre de peixes e pães
azul profundo a descansar a vista
onde a vista alcança, onde se arrisca
o tudo ou nada como lançar de dados

é como o mar, em intensidade e mistério
humor que sopra por onde quer
mágica faísca nas mãos de um qualquer
beleza e solidão 

Marcelo Moro

O Teatro de Ousadias - Sexto Ato




Eu gosto de fitar essa chama
Luz e calor, câmera e ação
Transe, religião hipnótica
Desenho tribal sem definição
No final do dorso, equilibrista
Velha civilização a escrever seu nome
Com lírios canibais se comendo um a um
Tom sobre tom, sem desejo nenhum
Sem ambição, apenas inocência cálida
Deusa pálida que ao sul se ergue
E controla as marés, e rege os ciclos
Estátua tatuada, em ouro e vegetal
Alucinógenos servidos em velhos cachimbos da paz
Uma nova língua a destilar o amor
Em antigos poemas, em viagens sem fim
Em mares a serem cruzados
Ventos soprados por querubins
Mapa do tempo e espaço
Orgia

Marcelo Moro

domingo, 13 de janeiro de 2013

O Teatro de Ousadias - Quinto Ato




Abra sua janela
Saboreie todos os aromas,
Flores, frutas, comida feita no beco, na rua;
Gente cigana que passa
Mágica ancestral, ouça os passos;
A musica, a dança, a reza, a praga;

As tranças da menina brilham ao sol
Os olhos da mulher fulminam um coração
O dourado do dente, o ventre em véus;
As cores mais belas, as feras;
O circo e com ele a revolução;
A cura e a ousadia

Marcelo Moro

O Teatro de Ousadias - Quarto Ato




Abrem-se as cortinas,
Fecha a porta do bar,
O ser e  nada na calçada, o ser e porra nenhuma
Em suma o que deseja de nós esse ser ?
Deus, o parnasiano poeta concreto
Escreve  certo, por linhas certas
E lança os tortos na fogueira
e aos certos lança a primavera
e nos dá a bala para o suicídio
Puxa o gatilho e alguém planta uma roseira no quintal
É o caralho a quatro o ser e o nada
Quem é ela e quem eu sou
Me desculpa amor pela linguagem rock' n roll

Marcelo Moro