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segunda-feira, 16 de março de 2015

Novilunio






Linda minha
Meu poema, meu frio na barriga
A cor perfeita, o perfeito equilíbrio
Minha miragem, meu vício
E que não acredita no que eu digo
Mas de dizer sempre e muito
Um dia funciona o encanto
E o canto há de fluir pelas veias
Como fujo pelas ruas da Metrópole
Para não cair em tentação de parar onde esteja
E gritar seu nome Lua Nova

Marcelo Moro

De outro Mundo




Bole com os sentidos
Sensações
Redemoinho de vento
Dentro dos olhos escuros
Noite sem Lua
E um sorriso bastardo
No enquadro perfeito
Da bagunça dos cabelos
Pobre de mim menino terráqueo
Que nada sei do seu desejo
Apenas vejo fluir
Zunir no íntimo ouvido
Tempestade de língua
Maré brava e quebradiça
Tímida ousadia
Que dia após dia é mais bela
É mais aquela
Que segura o florescer
De um dia calmo, pós guerra

Marcelo Moro

Sobre o olho do Furacão




Onde tudo gira infinitivamente rápido
Calmo, em cores, levando os vitrais
Caleidoscópio vivo, ávido
Devorando as almas e o dourado das auras
Infinitivamente impessoais
Seus traços, seus braços, sua insensatez aguda
E esses cachos disfarçados de mar e cabelos
Existem vozes que chamam do lado de lá do vento
Que falam alto, sussurram no pensamento
Mas tudo gira, e beija e fuma e ri
E em tudo cria sentimento
Obra prima da natureza
Que na leveza levou mais de mim que o esperado
Os versos, a calma, o grito sem amparo
Mas que guarda no olhar algo a dizer
E que diga antes que seja tarde
Antes que ao cair do dia se desfaça o vento
Cesse o sol que arde


Marcelo Moro 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Alusão " Ma non Troppo"



Um anjo sem cor
Transparente
Na dor e no amor
Signo sem casa
Ascendente sem asa
Língua sem pudor

Menina farroupilha
Futuro do pretérito
Pelo mistério que for
Beijo sem crédito
Apenas mágico
Sem remédio, trágico

Escorpião tatuado
Na alma inquieta
Sem calma, ereta
Tempestade de doçura
Cais de loucura
Acolhendo desavisados perdidos

Armadilha, anagrama
Clorofórmio com baunilha
Marginal “má non tropo”
Patricinha alucinógeno
Topo, trepo e não nego
Que me perco na miragem


Marcelo Moro 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Monólogo







Não sou simplista,
Apenas gosto de olhar a chuva quando cai a noite
Assim como não sou de açúcar
Nem de açoite, apenas poetizo
Não sou dizimista, gosto do quebrado
Erotizo seu andar, o nascer da lua
Te desenho nua no jardim das cerejeiras
E falo besteiras como se fosse um deus grego
E gaguejo quando responde à altura
Porque o belo que vejo em ti nem Bachô viu nas gueixas
Não está pintado nas deixas de nenhum impressionista
E de realista tenho tudo, barriga, postura torta
Mas tenho mania de abrir as portas para te ver passar
E de fotografar flores e Luas para te dar
Porque aprendi com um poeta que nas flores não se tocam
E com as marés que a Lua é de fino trato
E as vezes preparei à sua luz prata dois pratos
Porque a esperança... e duas taças
Vinho e temperança para quando tudo se desfaz
Já te escrevi tantas coisas
E se perguntar quais e quantas nego
Como os dados negam a sorte
Não, Não sou egoísta mas gosto de colecionar planetas
Assim como gosto de imaginar seus cabelos nas minhas mãos
E preencher meus vãos com pensamentos e cometas
E te descrever como vulcão
Que menos conheço do que exploro
E as vezes me pego simples a te imaginar olhando a chuva no meu colo


Marcelo Moro

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Pele para que te quero




Ah! Essa pele tem me seduzido
Cor, tempero, sabor
Pinta por pinta, sarda por sarda
E que quando arda de sol, de calor, tenha minha saliva
Para aliviar a dor, como um bálsamo, cura viva
E se uma flor aconteça de cair
Orna os cabelos e me olha travessa
Me fazendo rir
E quando eu decidir eu atravesso o mapa
Eu reviro o mar da sua tranquila idade
Esvazio a cidade disparando desgraças falsas
Deixando a praça vazia para mim e sua pele
E que uma flor caia para que você se vista de primavera
E se dispa de tudo o demais
E que tudo aconteça em seu tempo, no meu, tanto faz


Marcelo Moro

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Catrina







E desapareceu de repente
O sabor do beijo, o desejo ardente
Perdeu-se em um momento
O calor dos corpos
Sem que ninguém compreendesse
Talvez, alguém soubesse demais
O que a outra alma devesse
Foram reticências e trevas frias
Aqueles dias em que o vento despiu as cerejeiras
Não houve tempo para uma oração
Sem singeleza, sem copos na mesa
Sem dedos apontando alguma direção
Foi apatia, vazia de qualquer signo
Se desfizeram os laços, e os braços se desencontraram
A dor ficou e o destino seguiu seus passos
E a cada encontro com cada primavera
Resta uma quimera e uma flor sem dono
Um abandono e o sono que não vem
E de tentar em tentar o sonho vira desgaste
E que se lasque a dor que não dói em mim
E o que é a felicidade enfim?
Se não um troço chato que todos fingem sentir
E por ela mentem, ignoram, choram
E vão embora em algum momento sem fechar a porta
Apenas para não deixar de ver quem espera no portão
E de quando em vez deixa uma mensagem
Para ter certeza que ainda existe o que não passou de ilusão


Marcelo Moro