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terça-feira, 17 de março de 2015

K'abel



Uma deusa maia
Por isso o Mar vem e vai
Em reverência
Súdito e amante secreto
Incandescências de sal e luz 
Intenção e gesto

E o deus – menino sol
Estrela flutuante
Doura sua pele e antes
Te devora 
Para que não sobre dúvidas
Da divindade que te aflora

É sim uma deusa maia
Puro sangue
Que deságua nesses nossos litorais
Sempre que esquenta
E que arrebenta
Exibindo tão belo caminho para Eldorado


Marcelo Moro

In Natura


In Natura

Sem nada,
Nenhum corretivo,
Expressivo, delineante
Nada mesmo
Estonteante
Apenas pele
Lábios e sangue
Ombros e cabelos pairando
Sobre o espelho
Impressões digitais
Nada demais e nem de menos
Tudo exato
Exótico, caótico
Sonho de consumo

Marcelo Moro

segunda-feira, 16 de março de 2015

Amplificada



É desejo
Sem pele, sem beijo
Sem sombra de dúvida
Ávido, sedento
Viajante do vento
Como viajam as mãos
Esculpindo a realidade úmida

São pixels
Agrupados na maré alta
É lua cheia
É uma dose e meia
De sorriso incandescente
E de outras incandescências
Que leva a acreditar

É também mimo
Acalanto sereno
Quando desaba a solidão
É o extremo e o mínimo
Amplitude, amplificação
E quando no frio é abraço
Calor de supernova nesse corpo pequeno

Marcelo Moro

Novilunio






Linda minha
Meu poema, meu frio na barriga
A cor perfeita, o perfeito equilíbrio
Minha miragem, meu vício
E que não acredita no que eu digo
Mas de dizer sempre e muito
Um dia funciona o encanto
E o canto há de fluir pelas veias
Como fujo pelas ruas da Metrópole
Para não cair em tentação de parar onde esteja
E gritar seu nome Lua Nova

Marcelo Moro

De outro Mundo




Bole com os sentidos
Sensações
Redemoinho de vento
Dentro dos olhos escuros
Noite sem Lua
E um sorriso bastardo
No enquadro perfeito
Da bagunça dos cabelos
Pobre de mim menino terráqueo
Que nada sei do seu desejo
Apenas vejo fluir
Zunir no íntimo ouvido
Tempestade de língua
Maré brava e quebradiça
Tímida ousadia
Que dia após dia é mais bela
É mais aquela
Que segura o florescer
De um dia calmo, pós guerra

Marcelo Moro

Sobre o olho do Furacão




Onde tudo gira infinitivamente rápido
Calmo, em cores, levando os vitrais
Caleidoscópio vivo, ávido
Devorando as almas e o dourado das auras
Infinitivamente impessoais
Seus traços, seus braços, sua insensatez aguda
E esses cachos disfarçados de mar e cabelos
Existem vozes que chamam do lado de lá do vento
Que falam alto, sussurram no pensamento
Mas tudo gira, e beija e fuma e ri
E em tudo cria sentimento
Obra prima da natureza
Que na leveza levou mais de mim que o esperado
Os versos, a calma, o grito sem amparo
Mas que guarda no olhar algo a dizer
E que diga antes que seja tarde
Antes que ao cair do dia se desfaça o vento
Cesse o sol que arde


Marcelo Moro 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Alusão " Ma non Troppo"



Um anjo sem cor
Transparente
Na dor e no amor
Signo sem casa
Ascendente sem asa
Língua sem pudor

Menina farroupilha
Futuro do pretérito
Pelo mistério que for
Beijo sem crédito
Apenas mágico
Sem remédio, trágico

Escorpião tatuado
Na alma inquieta
Sem calma, ereta
Tempestade de doçura
Cais de loucura
Acolhendo desavisados perdidos

Armadilha, anagrama
Clorofórmio com baunilha
Marginal “má non tropo”
Patricinha alucinógeno
Topo, trepo e não nego
Que me perco na miragem


Marcelo Moro