Da janela olhando o entardecer
que caia e a noite que subia por detrás dos vinhedos a virgem amparava com as
mãos mais uma lagrima, não comia, não sorria, já não saía do quarto, apenas
olhava pela janela o momento em que os mundos se dividiam, e a noite chegava
forte, trazia cheiros, vontades e desejos que não poderiam ser descritos,
muitos menos percebidos por alguém.
Olhava também a criada que se esgueirava pelas sombras sumindo no meio da noite atrás de sangue, sentia o cheiro da morte, e sentia o cheiro de flores que chegava como que limpando o ar, cheiro do Narciso. De certa forma se sentia segura, não sabia como, mas algo surreal acalentava seu coração, e tocava-lhe os cabelos com candura, havia momentos em que um desejo selvagem lhe queimava e sentia também o toque firme e sensual do desconhecido que lhe afagava, que lhe dava o que buscava, noites insanas. Recebia a visita de Médicos e Padres, mas sua doença era amor, e não tinha remédio, a cada dia um desejo crescente de partir a invadia, queria o mundo, queria revirar cada cidade atrás do desejo saberia que seria guiada, faltava-lhe coragem, mais que isso, precisa reunir condições. Mas tida como louca talvez não conseguisse, era preciso reagir. Abriu o diário e releu o poema, gelava a cada vez que fazia isso. Tomou a caneta e escreveu um verso abaixo, olhou pra estrelas e leu com a voz tranqüila e quase sufocada por um choro involuntário.
Olhava também a criada que se esgueirava pelas sombras sumindo no meio da noite atrás de sangue, sentia o cheiro da morte, e sentia o cheiro de flores que chegava como que limpando o ar, cheiro do Narciso. De certa forma se sentia segura, não sabia como, mas algo surreal acalentava seu coração, e tocava-lhe os cabelos com candura, havia momentos em que um desejo selvagem lhe queimava e sentia também o toque firme e sensual do desconhecido que lhe afagava, que lhe dava o que buscava, noites insanas. Recebia a visita de Médicos e Padres, mas sua doença era amor, e não tinha remédio, a cada dia um desejo crescente de partir a invadia, queria o mundo, queria revirar cada cidade atrás do desejo saberia que seria guiada, faltava-lhe coragem, mais que isso, precisa reunir condições. Mas tida como louca talvez não conseguisse, era preciso reagir. Abriu o diário e releu o poema, gelava a cada vez que fazia isso. Tomou a caneta e escreveu um verso abaixo, olhou pra estrelas e leu com a voz tranqüila e quase sufocada por um choro involuntário.
“Não longe dali, apenas em outro
plano
Um par de olhos de perolas raras formado
E que Lançava um olhar distante partindo de uma janela
de tantas janelas já se haviam falado
Que até confundiram a ilustração de um poema
E ao encontrar o horizonte tal olhar
Fazia laranja sobre o azul o céu
Tranqüilidade largada aos deuses, que tragam o amante”.
Um par de olhos de perolas raras formado
E que Lançava um olhar distante partindo de uma janela
de tantas janelas já se haviam falado
Que até confundiram a ilustração de um poema
E ao encontrar o horizonte tal olhar
Fazia laranja sobre o azul o céu
Tranqüilidade largada aos deuses, que tragam o amante”.

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