A virgem pálida suplicava pela
noite embora ainda reinasse o crepúsculo e depois disso a ceia e ainda um
período onde todos se movem sem parar pela casa, por mais sensibilidade que
tivesse não poderia senti-lo tão cedo, mas sabia que viria. Longe na noite a
porta se abriu e dois grandes olhos também. Entre as parreiras um movimento
sutil anunciava sua chegada. A chama de uma vela iluminava o caminho que a moça
percorria a passos firmes em direção ao celeiro. Ela entra e a grande porta se
fecha, o rangido pode ter acordado alguém, mas a mente indica que todos estão
sob controle daquele que lhe faz companhia nas trevas, ali dentro. A vela se
apaga, mas o ambiente ganha tons azulados que não chegam a luz, mas beiram a
inocência, ela o vê, ele fala de paixão, ela responde com gestos e ações
desesperadas os dois se enlaçam. O poder e a inocência tocando o mesmo espaço,
o desespero e a tranqüilidade desabam sobre o mesmo solo, a candura, a doçura e
paixão controlam-lhe o instinto ele não é capaz de morde-la e transforma-la no
nada, ela tem lampejos de razão, mas não quem não vêem a tona totalmente.
Dúvida, a inocente duvida, a eficaz proteção causam a dor aguda. Ele se vira e
olha o buraco aberto em seu peito, pensa, e ao sentir o gosto amargo do sangue
tomar-lhe a boca diz inconseqüente – Foi melhor assim. A virgem nua parada olha
e arremete novamente a estaca de carvalho naquele peito já ferido e sangrando
que cai, foi –se o mito. Ali no chão agora há um homem. A moça berra e acorda
já na sua cama, já livre do sangue ouve pela janela os pássaros e vê –se entre
os raios de sol que furam a janela, intocada, arrependida.
Marcelo Moro

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