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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Um conto de duas Verdades - Episódio 9




Antes de amanhecer, ele fechou sua capa, vestindo o capuz, deixou sobre a mesa do celeiro outros dois desenhos, safras futuras? Talvez! mas precisavam ser interpretados e descobertos como tal. Colocou num saco duas garrafas de vinho e amarrou bem na sela do cavalo, fez montaria e saiu a trote. Passando pela castanheira que jazia envolvida pela manhã e por uma leve neblina, fez cair um livro, um diário. Partiu sem olha pra traz, sem deixar pistas no chão. Antes da grande curva da estrada olhou pra trás e viu mais uma vez a casa, um pouco de fumaça saindo pela chaminé, sorriu e seguiu o seu destino.
Passava um pouco do habitual quando a virgem acordou, sua sensação era que parte de si não estava ali, levantou-se rápido e antes de tudo saiu em disparada rumo ao celeiro, tomada de um sentimento juvenil vasculhou o celeiro e achou apenas os desenhos, gritou, se desesperou, se arrependeu. Era só confusão e desejo, viu que suas lagrimas borravam o desenho tratou de levar os desenhos ao irmão, ninguém havia visto que ele partira, não havia cavalo sumido, nada. Voltando pra casa resolveu por intuição ir a castanheira e caído entre as raízes viu o livro, tomando nas mãos abriu e havia um verso escrito ali pela mesma pena que houvera composto os desenhos, era dele. Leu em voz baixa, leu com o espírito, leu com desejo:

Mascaras caídas num canto, perdidas
Trazendo cheiros e sabores, essência
Lembranças de um velho baile
Onde dançaram sob antigas venezas
De janelas e pontes sem fim
De gondoleiros e vampiros, capas que se abriram
Seios e bocas se encontraram
Desejo e amor enfim se fizeram de solidez e solidão.

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