Aquela manhã foi diferente, mais
silenciosa, menos clara, mais fria e muito embora nossa donzela gostasse de
dias frios aquele não parecia ter nada de especial, nem o cheiro de canela e
baunilha com que ela havia se acostumado a chamar de outono estavam presentes.
Em algum lugar da sua alma jazia morta uma fera, mas que havia se revelado ao mais doce e fascinante dos homens quando ali deitado, no chão, inanimado.
Poderia tudo ter sido um pesadelo, na verdade vários que rondaram e seduziram aquela jovem por várias noites. Desorientavam incompreensíveis, mas não deixavam de ser tão bom. Concluía enquanto andava em torno da castanheira, já com as folhas todas amareladas pelo clima, que tivera algo mais real que a felicidade naquelas noites e intuíra que desejava de volta aqueles sentimentos dúbios, mas infinitamente deliciosos.
Encontrava-se distante quando sentiu a força de um dedo áspero e de certa forma até grosseiro levantar-lhe o queixo e ao ser fuzilada por aqueles olhos sentiu que outro dedo aparava-lhe uma lágrima que descia involuntária pela face pálida. Não teve força para protestar, na verdade nem se mexeu, aquele ser na sua frente era o bem muito embora apresentasse uma figura tipicamente masculina, bruta, com olhos de quem poderia toma-la nos braços e quem sabe arriscar um beijo. Estremecida aceitou lenço e enxugou o rosto, sentiu ao toque da seda pura uma certa nobreza e agora era a contradição que a tomava de assalto, mias um entre tantos naqueles dias, poderia um típico plebeu zelador das parreiras mostrar tanta audácia e ao mesmo tempo tanta gentileza? Dedos grossos e calejados portar tão nobre e macia seda? Mágica e loucura, e a ternura fez –lhe soltar um sorriso que encontrou-se com o do homem que já sorria. Sim era um homem, carne, osso e sentimentos, provocava sensações reais, menos intensas, mas também menos confusas que aquela sombra que a rondava de noite. Foram segundos, quem sabe um ou dois minutos antes que ouvisse a voz que a chamava de algum ponto da casa, mas o suficiente para marcar aquela fisionomia e os sentimentos que os gestos traduziam, e sentiu-se entregue e segura, sem que realmente conhecesse tais sentimentos.
Em algum lugar da sua alma jazia morta uma fera, mas que havia se revelado ao mais doce e fascinante dos homens quando ali deitado, no chão, inanimado.
Poderia tudo ter sido um pesadelo, na verdade vários que rondaram e seduziram aquela jovem por várias noites. Desorientavam incompreensíveis, mas não deixavam de ser tão bom. Concluía enquanto andava em torno da castanheira, já com as folhas todas amareladas pelo clima, que tivera algo mais real que a felicidade naquelas noites e intuíra que desejava de volta aqueles sentimentos dúbios, mas infinitamente deliciosos.
Encontrava-se distante quando sentiu a força de um dedo áspero e de certa forma até grosseiro levantar-lhe o queixo e ao ser fuzilada por aqueles olhos sentiu que outro dedo aparava-lhe uma lágrima que descia involuntária pela face pálida. Não teve força para protestar, na verdade nem se mexeu, aquele ser na sua frente era o bem muito embora apresentasse uma figura tipicamente masculina, bruta, com olhos de quem poderia toma-la nos braços e quem sabe arriscar um beijo. Estremecida aceitou lenço e enxugou o rosto, sentiu ao toque da seda pura uma certa nobreza e agora era a contradição que a tomava de assalto, mias um entre tantos naqueles dias, poderia um típico plebeu zelador das parreiras mostrar tanta audácia e ao mesmo tempo tanta gentileza? Dedos grossos e calejados portar tão nobre e macia seda? Mágica e loucura, e a ternura fez –lhe soltar um sorriso que encontrou-se com o do homem que já sorria. Sim era um homem, carne, osso e sentimentos, provocava sensações reais, menos intensas, mas também menos confusas que aquela sombra que a rondava de noite. Foram segundos, quem sabe um ou dois minutos antes que ouvisse a voz que a chamava de algum ponto da casa, mas o suficiente para marcar aquela fisionomia e os sentimentos que os gestos traduziam, e sentiu-se entregue e segura, sem que realmente conhecesse tais sentimentos.
Marcelo Moro

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